quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A FORÇA DO U2



Depois de 13 horas de fila para comprar ingressos e de extrema ansiedade até o dia 20 de fevereiro, uma Van lotada de Fãs do U2 partiu de Limeira às 13 horas com destino ao tão sonhado show da banda irlandesa. Dos 14 tripulantes apenas três estiveram no show de 1998 da Turnê Pop Mart. Para os outros amigos era tudo novidade. Mesmo assim ao chegarmos no estádio do Morumbi entramos com muita facilidade pelos portões e a imagem do palco da turnê Vertigo fez com que todos começassem a gritar, aliviar parte daquela ansiedade que insistia em tomar conta de todos. Com direito a dois bis e um final calmo e tranqüilo o U2 mostrou a força de suas canções ao vivo.
Depois da abertura da banda escocesa Franz Ferdinand, que empolgou mais de 70 mil pessoas com hits como Take Me Out e Do You Want To. Um pouco mais de meia hora depois as luzes do Morumbi voltaram a se apagar e no meio da nuvem de fumaça surgiram The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton. “Mas cadê o Bono?” Foi o que ouvi de inúmeros fãs anônimos e precoces. Eu disse: “calma, olha para o meio do povo meu amigo”. E lá estava Bono Vox e sua jaqueta virada do avesso com a bandeira do Brasil estampada. Pronto, ele conquistou a platéia. Conquistou todos. Mas havia algo de errado. O som não estava nítido, não estava forte. Os amigos da excursão já haviam se dispersado então fiquei entre o jornalismo e a felicidade de um fã. Logo de cara sabia que mesmo com o som ruim seria difícil não me entregar àquela magia. Então cantei e ao mesmo tentei observar as inúmeras reações das pessoas à volta.
A primeira música, City of Blinding Lights, do último disco, mostrou a guitarra sem muita definição e no geral, o som estava fraco, sem a potência que pelo menos eu esperava. Para um jornalista e músico isso é fator determinante para atacar de críticas um show. Este foi o único fator abaixo da qualidade que se esperava da estrutura de som montada. Duas torres enormes de som em cada lado do palco com mais outra quantidade de caixas no centro, na altura do palco. Isso foi notado por muitos outros fãs de carteirinha. “Mas e daí?” Foi o que os fãs em geral disseram. Nilton Nacaguma, 35 e Rene Eduardo Zannini, 23, que estiveram no show de 1998 notaram isso, mas não puderam se conter diante da magia de toda aquela parafernália de luz, fumaça e imagens. Tudo se encaixava de forma teatral à presença de palco do U2.
É engraçado descobrir que Bono não sabe tocar direito sua guitarra, e isso até ele mesmo já disse. Mas todos sabem qual é o forte dele. Apesar da idade foi possível notar na música Miss Sarajevo que a potencia vocal do jovem Paul Hewson (verdadeiro nome de Bono) ainda está dentro dele.
O que caracteriza o U2 é soma de singularidades individuais que em conjunto transmitem muita energia. É impossível pensar em U2 sem a linguagem inovadora da guitarra de The Edge, sem o baixo simples, mas extremamente sólido de Adam Clayton e sem a batida extremamente singular de Larry Mullen Jr. Podem não ser individualmente instrumentistas virtuosos, mas este quatro rapazes, com mais de 20 anos de carreira, são sólidos no conjunto e performance de palco. São tão fortes que impressionam até mesmo àqueles que não gostam do som do U2. Músicos como Joe Satriani e a bandas como Dream Theater e Sepultura reconhecem isso. Ambas as bandas regravaram suas músicas. A banda brasileira de trash metal regravou a música Bullet the Blue Sky e o guitarrista Andreas Kisser estava lá para conferir o show.
A crítica deve reconhecer que o U2 deixa, ao longo dos anos de sua existência, canções que perduram e atravessam modismos. Por isso que em 2005 os irlandeses entraram para o Rock’n’Roll of Fame, ao lado de grandes nomes como The Beatles, The Who e The Rolling Stones. Independentemente das causas humanitárias e políticas de Bono, que para muitos serve de propaganda, é fato que hoje eles estão no topo e seus fãs estão renovados. Na caravana de Limeira tinha gente que conhecia as músicas mais recentes, outros as mais antigas e outros que praticamente escutam e vivem tudo do U2 diariamente. Os anônimos que encontramos lá gente que curtiram mais as músicas dos anos 80, outros reconheciam mais as canções da década de 90 e a maioria estava ligada nas canções mais recentes. Eram crianças com 10 anos de idade até “cinquentões” que enfrentaram filas e acamparam na porta do estádio e se divertiram ao som de New Years day, Until the End of World, One, All Because of You e muitas outras. O show do dia 20 de fevereiro, assim como certamente foi o dia 21, mostrou para todos, banda, fãs, promotores, meios de comunicação, o quanto o rock, ainda é forte e possui muito mais de 140 mil seguidores. No final a caravana de Limeira se encontrou e exausta, mas feliz só tinha uma palavra para defini este dia: Inesquecível.
Certamente o U2 não vai fazer tanto corpo mole para voltar ao Brasil. Mas da próxima vez esperamos um pouco mais de organização dos promotores na venda de ingressos e certamente mais shows em outros lugares do país. E fica o aviso, por favor, não subestimem a força da maior banda pop do planeta, muito menos seus fãs.


Roteiro Teatral
A seqüência do show do U2 tem um caráter teatral que é realçado pelas imagens dos telões e pelas luzes espalhadas por todo o palco e estádio. No show do dia 20 o U2 tocou 23 canções. Bono tocou um pedaço de Norwegian Wood dos Beatles e disse várias coisas em português. Antes de Beautiful Day soltou um “Ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora” e levou mais de 70 mil pessoas a cantar junto. Falou sobre copa do mundo, sobre Lula e despertou vaias quando citou a Argentina antes de uma canção. Discursos desenhados para um repertório de músicas com mais de 20 anos e de discos recentes como All That you Can’t Leave Behind e How to Dismantle an Anatomic Bomb. Estas foram as músicas do dia 20 de fevereiro:
City of Blinding Lights
Vertigo
Elevation
Until The End of the World
New Year’s Day
Still Haven’t Found
Beautiful Day
Stuck in a Moment
Sometimes You Can't Make It On Your Own
Love and Peace or Else
Sunday Bloody Sunday
Bullet The Blue Sky
Miss Sarajevo
Pride in the Name of Love
Where the Streets Have No Name
One
Zoo Station
The Fly
Mysterious Ways
With or Without You
All Because of You
Original of the Species
40

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Muchas Gracias por su Bagunça!!!



Vamos forçar a barra! Já acordei de cara para a TV para saber se eles quatro já tinham chegado. Ótimo. Mas calma caro leitor. Para quem me conhece pode estar pensando: mas o Bono não chegou ainda!! Eu sei, o U2 só chega no sábado ainda não está pronto no Cícero Pompeu de Toledo. Mas não queria informações sobre os Irlandeses e sim sobre seus vizinhos, The Rolling Stones. É, a múmia rock do Keith está aqui, junto da Lombriga Jagger. Opa!! Tirar um sarro é legal, mas fica a ressalva, eu gostaria de ser um Rolling Stone e jogar lascas de casaca de banana da cobertura do Copacabana Palace! É, já que taxaram nós rockers de desordeiros!!
Mas a história não é bem assim não, e não cabe ficar dizendo que somos bonzinhos, pessoas ‘super sensíveis’ e carinhosas. Bull Shit!!! A gente faz careta e também gosta de uma boa bagunça. E quem não gosta? Até a prefeitura do Rio gosta. Para arrumar um show desses só armando uma tremenda bagunça. Uma bagunça boa e regada a que?! Ahh!! Me responda!! ROCK ‘N’ ROLL. Que inveja devem estar esse povo que pensa que o Brasil é só carnaval. É, a uma semana do Carnaval, quem vai fazer o maior barulho e a melhor bagunça aqui na terra da ‘mistureba’ são os Rolling Stones, e de quebra tem U2 na segunda e terça para liquidar Abadás, trios e festas recheadas de carnaval enlatado. Vale me Deus!! Carnaval já foi bem melhor do que essa coisa de hoje. Agora o Rock ‘n’ Roll dos Stones. Não é a toa que o novo disco se chama “A Bigger Bang”!!! Que estouro!!!!
Dizem que nosso país é uma eterna bagunça, será? Se for fico com a Bagunça dos Stones e segunda vou fazer bagunça lá no Morumbi. Quanto ao carnaval? Só volto a fazer bagunça quando o Paulinho voltar a escrever samba para a Portela. Essa sim era bagunça boa!! No final todo mundo entra na dança e até Satisfaction fica em ritmo de samba! Da para acreditar?!!!
The Rolling Stones: Esses caras são a prova viva que o Rock ‘n’ Roll não vai morrer mesmo!!!

E continuamos na ladeira!!!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

É tarde?


É tarde, tarde para aqueles que ficam somente esperando o Big Brother e depois dormem o sono dos desacordados. Vão sonhar com carros velozes, mulheres estonteantes, ilhas paradisíacas e se esquecem de alimentar o espírito e a mente de algo substancial. Assisto dois programas que devem ser melhor observados por telespectadores inertes. Poxa!! Inventaram o controle remoto para que? Vamos “zapear”! Caros, precisamente estou escrevendo sobre o “Todo Seu” e o “Sr. Brasil”, respectivamente programas da TV Gazeta e TV Cultura. Não são fora do comum, mas, são essencialmente instrutivos e de conteúdo muito mais trabalhado que a mesmice da programação televisiva em horários de maior audiência.
Se o propósito, no ambito da literatura, por meio de autores como Mario de Andrade e de estudiosos como Antonio Cândido era descobrir ou discutir a identidade cultural brasileira, estes programas o fazem. A sua maneira e de formas diferentes, mas de alguma forma contribuem para a preservação de uma identidade cultural. A televisão é o meio de comunicação mais forte hoje. Desta forma, difundir o que há de melhor e original da cultura brasileira,tem a responsabilidade, dentre muitas outras, de reconhecer no povo que habita esta terra continental, suas peculiaridades e o que há de mais brasileiro na essência de uma nação que surgiu do encontro de muitas outras.
O Programa de Ronnie Von, “Todo Seu”, sempre destaca o melhor da música popular brasileira e resgata grandes nomes esquecidos junto de nomes novos que são fruto da força de intérpretes como Elis Regina e Jair Rodrigues; de compositores como João Bosco e Belquior. São pinceladas de bom gosto e atenção diante de uma programação televisiva massificante e tediosa.
Na TV cultura, por mais que os programas educativos possam servir a esta finalidade, há algo que se sobressai e também está encaixado em um horário pouco convidativo para aqueles que cedo precisam acordar. Sr, Brasil é apresentado por Rolando Boldrin, que ao meu ver dispensa comentários. Quem? Rolando Boldrin caro leitor e espectador de telenovelas. Aquele simpático senhor da propaganda de cimento, aquele cimento que cola. Pena que o programa não cola muito na cabeça dos antenados em saber quem vai para paredão, quem morre na próxima cena, quem casou com quem. Sr. Brasil é um primor ao mostrar como música erudita e viola caipira foram feitas uma para a outra. É escutar o som do Brasil de forma singela enquanto alguns “causos” (pequenas histórias divertidas) são contadas pelo apresentador ou pelos seu convidados. Confira.
Uma pena que ambos os programas passem praticamente no mesmo horário. Quanto disperdício!!!!
- Sr. Brasil - No ar todas as terças-feiras as 22 hs. e reapresentação aos domingos 11 hs.
- Todo Seu – No ar de segunda à sexta às 22 hs.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Pontos e Contornos!!!




Dizer que me lembro do primeiro dia de aula é muito fácil. Estava de cara amarrada, no meio de várias pessoas desconhecidas, mais novas e sentindo que não seria fácil aturar aquela molecada. Santa ignorância, o moleque sou eu!!! É certo que tenho meus momentos de seriedade, mas tem hora que é um saco ser adulto. Mantive minha postura de “primo mais velho” por alguns meses. No entanto percebi que consegui maturidade em quem achava que não tinha (apesar de todos nós continuarmos um pouco molecas e moleques!!).
A cara sisuda foi se esvaindo ao longo dos meses, semestres e quando abri meu coração, já não tinha mais jeito. Contei tudo sobre minha vida, sobre meus medos, para alguns acredito que foi até entediante. Fiz daqueles que achei que fossem moleques meus conselheiros e confidentes. Ajudaram-me e ajudei da melhor forma possível. Decepcionei e fiquei desapontado. Mas convenhamos, isso não é a vida? Isso não é trocar experiências e observar em cada momento ridículo que há algo de muito importante que não enxergamos?
O relacionamento foi construído com discussões. Acordos e desacordos. Este campo aberto de ilusões, receios e antíteses de sentimento criou algo único. Uma amizade que por mais frágil que possa parecer pode fazer rolar, mesmo que pequena, uma lágrima de saudade dos nossos corações ao vermos uma vez, daqui tantos anos, uma foto jogada no fundo de uma gaveta. Uma foto eterna de moleques, molecas, homens e mulheres, que buscaram a cada dia de estudo e companheirismo estudantil serem pessoas boas. Nada mais do que isso, serem bons. Na alma, no espírito, no sorriso, na amizade, no amor entre seres humanos. Amigos, amar, com certeza palavras de uma mesma raiz etimológica.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

"Eles são o samba"!!!!!!!!


Já faz mais de uma semana que voltei de uma viajem muito boa. O melhor do passeio foi ter visto algo tão autêntico e tão refinado da música brasileira. Eles, no surgimento era sete distintos rapazes com vocalização e instrumentos que destoam da mesmice, da mediocridade de grupos de samba e pagode de hoje. Empresto aqui as primeiras palavras de um samba de Zé Kéti só para dizer: “Eles são o Samba”. O samba paulistano, do Brás, do Bexiga, da Lapa e de tantos outros caminhos da terra da garoa. O Samba dos Demônios da Garoa. E foi justamente em um fim de tarde de garoa, fina, que o refinamento do samba esteve presente no centro de Caraguatatuba.
O dia do aposentado. Senhores e senhoras nas suas cadeiras, junto de crianças, adolescentes e jovens, encantados com uma cadência do que há de mais extraordinário na música: A MÚSICA! E só. E só?! É. Para que ficar rebolando e colocando gel no cabelo? Para que? Cantar todos em uma só voz, sem fazer uma terça, uma segunda, ou até mesmo uma simples oitava. Quanta incompetência. É assim que muitos garotinhos, “fortinhos”, de “regatinha” conseguem atenção. Ninguém fica arrepiado com uma virada de “tantan”, quando a atenção está voltada para os músculos do “tocador de bumbo”. É. Essa molecada, muitos grupos de samba e pagode são tocadores de bumbo.
Agora aplaudir a música, o samba, executado com maestria, simplicidade e refinamento é entender que não é preciso esteróides para tocar um “treme terra”, um pandeiro, um tamborim e muito menos para descobrir os baixos certos em um violão de sete cordas.
Esse é o samba! Aquilo que impressiona por sua beleza enquanto música de um povo alegre e que canta e sabe, com certeza sabe que não é força e sim um jeitinho brasileiro pra batucar.